Depressão pós-parto e reorganização familiar




A depressão pós-parto pode inicialmente ser uma preocupação da saúde mental adulta, sendo que quatro em cada cinco mães sofrem algum tipo de "depressividade" nos primeiros meses após o parto, mas 10% tem a probabilidade de desenvolver uma Depressão.

A pesquisa confirma que esta dificuldade pode realmente ter implicações de longo prazo para a mãe e restante família (Cox, 1989). Assim liga-se diretamente no domínio da psicoterapia infantil, pois incide sobre a relação mãe - bebé, influenciando o desenvolvimento cognitivo (Cogill et al , 1986) e emocional ( Murray e Stein , 1989) da criança e ao domínio da Terapia de Casal com as dificuldades da Parentalidade.

Mesmo quando um bebé foi desejado, algumas mães e/ou pais podem ter dificuldades na ligação com seu bebé, que por sua vez podem desenvolver distúrbios de comportamento, como choro, pobres padrões de sono e recusa de mama. 

Esta situação acaba por causar um sofrimento duplo pois afeta tanto os pais como o bebé, com quem o contato emocional é repetidamente obstruído. 

É natural experimentar dificuldades em reorganizar-se com o nascimento de um bebé, mesmo de um ponto de vista mais prático onde há um novo membro da família com os horários de alimentação, sono e outros cuidados mais rígidos. No entanto, nesta fase da vida, há também um “revisitar” da vivência dos pais enquanto eles próprios bebés, podendo por isso haver também um “revisitar” das dificuldades deles próprios. Que cuidados tiveram ou não, como foram esses cuidados, etc.

Os pais necessitam reequilibrar os seus sentimentos e emoções em relação a si próprios e em relação aos filhos. Vários estudos sobre este assunto, indicam a importância da intervenção familiar (Likierman, 2003) porque, muitas vezes, estas dificuldades estão relacionadas com sentimentos inconscientes dos pais e que necessitam ser desmontados.

Pais e Filhos



Ser pai ou mãe pode ser um dos maiores desafios que a vida apresenta e nem sempre aqueles que o são, ou vão ser, se sentem preparados para tal experiência. Para além de alimentar, lavar e cuidar da criança, o papel parental passa também por proporcionar a proteção, educação e afeto necessários a um desenvolvimento saudável e equilibrado.

Muitas vezes se fala de “instinto paternal ou maternal”, por exemplo, quando alguém sabe que vai ser pai ou mãe, ainda que não o tivesse planeado mas que “de repente” deseja aquele bebé. Outras vezes este “instinto” não surge.

Investigações recentes concluem que o bem-estar da criança se baseia na promoção de boas práticas em que pelo menos três fatores interagem e se interligam uns com os outros:

Necessidades básicas das crianças;

Habilidades ou competências parentais;

O contexto social envolvente.

Mas ter um filho não torna automaticamente uma pessoa num pai ou numa mãe?

Apesar de o “tornar-se pai” ser uma condição fixada legalmente, não quer dizer que a função parental coexista, ou seja não existe uma causa-efeito sobre o facto de se ser pai ou mãe e em simultâneo conseguir ser um cuidador que atende às necessidades da criança, proporcionando este cuidado em quantidade suficiente e de qualidade.

A paternidade é um processo que é eminentemente psicológico e que os pais fazem sobre si mesmos. A relação dos pais com os filhos depende muito do modo como os próprios pais vivenciaram a sua experiência como filhos, o modo como foram cuidados e da segurança e afeto que receberam.

Quando há dificuldades a este nível é importante recorrer a ajuda especializada pois se por um lado as crianças não são todas iguais, as suas necessidades básicas são muitas e variadas, por outro, os pais muitas vezes podem sentir a frustração de fazer o máximo de esforço que se revela insuficiente, o que leva a sentimentos de culpabilidade, ansiedade e angústia e com um acompanhamento técnico eficaz é possível reajustar as competências parentais e da criança e equilibrar as relações pais-filhos para que se tornem satisfatórias para ambos.

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